França Junior

Opinião - 01/04/2016

A TAXA DE CÂMBIO INVERTEU SUA CURVA?

Caros Amigos. A taxa de câmbio Ptax, que resulta da média das operações de dólar comercial registradas pelo Banco Central diariamente, atingiu na posição de compra R$ 3,5793 nesta sexta, dia 1º de abril. Essa é a menor taxa em praticamente sete meses. Mais precisamente a menor desde os R$ 3,5549 de 27 de agosto de 2015, registrada um pouco antes do mercado catapultar a taxa pela primeira vez acima dos R$ 4,00. E com esse recuo que vem acontecendo desde o início de março, vem a pergunta que não quer calar: a taxa de câmbio inverteu efetivamente a sua curva? E derivada dessa questão, podemos ainda perguntar: é possível que a taxa volte a circular acima dos R$ 4,00, como aconteceu em setembro de 2015 e janeiro e fevereiro de 2016?

Para tentar responder essa complicada e decisiva questão, teremos que dar uma passada nas principais variáveis que normalmente determinam o rumo da taxa de câmbio. Primeiro, no âmbito externo, temos a variação do dólar no mercado internacional em relação às principais moedas. Apesar de uma tendência para o ano ainda de firmeza, as últimas semanas foram de acomodação da taxa, refletindo as incertezas e a diminuição de ritmo da economia chinesa, e o fluxo de avanço conservador da economia dos EUA. Em função dessa combinação, novo aumento da taxa de juros nos EUA está momentaneamente descartado, deixando o dólar sem força para subir significativamente no curto prazo. Variável de pressão (para baixo) para a taxa de câmbio no Brasil.

No lado doméstico, temos que analisar o fluxo cambial, que depende do andamento da economia, e a questão especulativa, que depende das oscilações sobre a crise política. No primeiro ponto, basicamente não há alterações sobre os desastrosos números observados em 2015. Ao contrário, como nada, absolutamente nada foi feito no ano passado para conter a deterioração dos indicadores econômicos, entendemos que a economia segue piorando e a crise se intensificando, com o país se encaminhando para o abismo. Por esse aspecto, seguimos com tendência de intensificação do fluxo negativo de entrada de dólar no país, atuando de forma a jogar para cima a taxa de câmbio no país.

Mas é na questão política onde temos o maior grau de indefinição para a tendência do câmbio. No lado externo a tendência momentânea é para baixo. Internamente, no lado econômico, a tendência segue para cima. Mas o desempate permanece sendo dado pelas flutuações dos humores do mercado financeiro diante das especulações sobre o futuro do atual governo. O aumento substancial das chances de impeachment foi a principal razão para a mudança para baixo desse patamar do câmbio e é em cima desse tema que estarão centradas as flutuações nas próximas semanas. Não há mais governo! Apenas um grupo que destroçou a economia do país tentando se manter no poder. A queda da presidente é condição necessária para que algum tipo de arranjo político seja possível e possamos começar a pensar em tirar o país do buraco negro em que foi colocado.

Se você acredita que a saída da presidente vai efetivamente ocorrer pela decisão do Congresso, então pode afastar momentaneamente a possibilidade da taxa retornar para o patamar dos R$ 4,00. Mesmo assim, não dá para trabalhar com taxas muito inferiores a esse patamar de R$ 3,50, até que o ambiente político seja estabilizado e as reformas econômicas puderem ser implementadas. Mas se você acredita que o fisiologismo e a compra descarada de votos de parlamentares vão evitar o processo, então pode se preparar porque a taxa voltará a disparar. Pelo menos até que o processo de cassação seja julgado no TSE. Mas aí meu caro, até lá mais um ano estaria perdido. A princípio, a primeira hipótese é, neste momento, a mais provável. Mas em se tratando de Brasil, e da nossa classe política, não dá ainda para cravar com toda a certeza. Acho que o Brasil trabalhador e que paga as contas precisa sair às ruas mais uma vez.

 

Um “AgroAbraço” a todos!!!

Flávio Roberto de França Junior

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