França Junior

Opinião - 13/05/2016

VOU FESTEJAR! OU, COMO NOSSA JOVEM DEMOCRACIA MOSTROU SUA FORÇA

Chora, não vou ligar, não vou ligar. Chegou a hora. Vais me pagar, pode chorar, pode chorar.

É, o teu castigo, brigou comigo, sem ter porquê. Vou festejar, vou festejar, o teu sofrer, o teu penar.

Você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão!

Caros Amigos. Que semana hein? E tinha que ser no dia 12 de maio, dia do aniversário do “locutor” que vos fala. Acho que ando de bem com o pessoal “lá em cima”, pois na virada do ano tinha pedido um presente de aniversário para o papai do céu a saída da presidente Dilma. E foi justamente na manhã de quinta-feira que o Brasil acordou com a manchete em todos os jornais: “12 de Maio de 2016: Dia Histórico”. O dia em que a honra e a decência venceram a desfaçatez, a prepotência, a incompetência e a iniquidade. Dia de virarmos a página de um triste e trágico período de nossa história. E que tomara nunca mais se repita.

Li muita coisa nesses últimos dias. E tantos textos positivos e interessantes foram escritos, que me peguei pensando se poderia acrescentar algo mais a esse debate. Será poderia contribuir com mais alguma reflexão que já não tenha sido feita nesses últimos dias? E ao observar alguns comentários depreciativos sobre o Brasil na imprensa internacional (a maioria deles com boa dose de razão e fundamentos), entendi sim que deveria me pronunciar nesse espaço. Isso porque no geral a tônica desses comentários tratava da fragilidade do nosso sistema político. E de como o país era instável politicamente falando. Porém, meus caros, não concordo com essa visão.

É bem verdade que a nossa jovem democracia pós-golpe de 1964 já tem em seu currículo o impeachment de dois presidentes em apenas 27 anos (de 1989 a 2016). E esse fato pode parecer excessivo aos olhos de observadores estrangeiros. Mas quem viveu esses dois momentos em toda a sua plenitude, sabe que nos dois casos não houve ruptura democrática. Muito pelo contrário. Tanto no impeachment do presidente Collor, como agora no “encaminhado” impeachment da presidente Dilma, todo o processo seguiu estritamente, sem desvios, os preceitos institucionais escritos em nossa Constituição. Passando pela intensa e efetiva participação popular, envolvendo diretamente a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, com todos os deputados e senadores legitimamente eleitos, e o Supremo Tribunal Federal.

No caso atual, milhões de brasileiros foram às ruas protestar e pedir o afastamento da presidente (eu, particularmente, estive em 5 manifestações: 15 de março de 2015, 12 de abril de 2015, 16 de agosto de 2015, 13 de dezembro de 2015 e o fantástico 13 de março de 2016, a maior manifestação popular de nossa história). Então onde está a ruptura, se todo o processo foi baseado e realizado dentro de nossos preceitos democráticos?

Apesar do julgamento político (e tem que ser assim), em ambos os casos o afastamento dos presidentes só aconteceu porque crimes foram efetivamente cometidos com a participação direta e/ou indireta deles e de seus comandados mais próximos. No caso do presidente Collor, corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha. No caso da presidente Dilma, crime de responsabilidade fiscal, crime de responsabilidade, corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, desvio de conduta, etc... Ok, o pedido de impeachment que deve levar à cassação do mandato da presidente estava amparado “apenas” nos dois primeiros crimes. Mas é óbvio e ululante que a presidente está caindo pelo conjunto da obra. Mais ou menos como prender Al Capone por sonegação fiscal. E que obra, não é mesmo? Como pode tantos e diferentes crimes, e tanta desonestidade ter sido promovida por um único grupo político? E em relativamente tão pouco tempo. E justamente o grupo político que se proclamava o defensor da justiça, da verdade, dos mais fracos e oprimidos. Quanta ironia. E que volta no tempo estamos dando.  

Na verdade o que temos em curso é o fortalecimento de nossa democracia e a prova cabal de que nossas instituições são sólidas. Meus caros, não tenho a menor dúvida de que o país emerge melhor e mais saudável dessa crise. Mais maduro, mais forte. Temos muito ainda o que caminhar. A rede criminosa que nos comandava ainda está atuante e precisa ser completamente desbaratada. Temos muitos políticos ainda sendo investigados e não condenados. Inclusive o presidente do Senado. Outros tantos cujas provas vão aparecendo a cada avanço da Operação Lava-Jato ou das demais operações em curso pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. E outros que certamente vão aparecer com a abertura da “caixa-preta” dos governos do PT. Nossa classe política sabe agora que não podem mais vacilar. Sabe que estaremos vigilantes. E que não mais nos acomodaremos. E que se esse novo governo tampão, ou qualquer outro no futuro, também incorrer em desvio de conduta, voltaremos às ruas e faremos nossa democracia funcionar.   

 

Um “AgroAbraço” a todos!!!

Flávio Roberto de França Junior

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